Muito se fala hoje sobre o Glúten, mas afinal quais doenças estão relacionadas a esta proteína? Qual a abordagem da Nutrição Funcional para o tratamento das questões que estão relacionadas ao glúten? Hoje pretendo responder algumas dúvidas que percebo nos pacientes que atendo.
A intolerância permanente ao glúten que provoca lesões na mucosa do intestino delgado, gerando uma redução na absorção dos nutrientes ingeridos se chama Doença Celíaca.A sintomatologia clássica é: diarréia, irritabilidade, baixo-peso e má nutrição e normalmente é diagnosticada nos primeiros meses de vida. Alguns testes sanguíneos como a DOSAGEM DE ANTICORPOS IgG e IgA antigliadina são utilizados e para confirmação ainda há necessidade de uma biópsia de pequenas amostras de tecido do intestino delgado. Na doença celíaca a dieta necessariamente tem que ser isenta de glúten. Qualquer quantidade desta proteína, por menor que seja, será prejudicial.
O glúten é uma proteína composta pela mistura de cadeias protéicas longas de gliadina(prolamina do glúten responsável pela toxicidade) e glutenina. As farinhas que contém glúten são mais viscosas e elásticas(Por estes motivo são tão utilizadas na panificação).Trigo, aveia- por conta da contaminação cruzada-, centeio, cevada, malte; são exemplos de farinhas que contém glúten.
O consumo em excesso do Glúten parece estar relacionado com diversas questões de caráter inflamatório. No congresso internacional de Nutrição funcional, deste ano, realizado pela VP Consultoria Nutricional [i] , tivemos a participação de um especialista nesta questão , o Dr Tom O`bryan e ele nos trouxe evidências científicas de que quando uma pessoa possui uma sensibilidade ao glúten(mesmo não sendo um paciente celíaco) o consumo pode desencadear uma cascata inflamatória e levar a permeabilidade intestinal , segundo Dr O`bryan as conseqüências sistêmicas da permeabilidade intestinal irão depender da genética e dos antecedentes do indivíduo. As manifestações podem aparecer em diferentes sistemas trazendo queixas diversas: déficit de atenção, hiperatividade, enxaqueca, doenças inflamatórias intestinais, obesidade, doenças auto-imunes, desordens reprodutivas, irregularidade intestinal, estufamento .O tipo de problema e o local (sistema do corpo afetado) dependerá da genética e dos antecedentes do indivíduo.
O que torna hoje o olhar do Nutricionista Funcional mais focado na redução do consumo das fontes de glúten é o aumento do número de pessoas com sintomas e queixas que parecem estar relacionadas a sensibilidade a esta proteína, possivelmente pelo excesso de exposição aos farinhaceos : pães, biscoitos, massas prontas, bolos, salgados de forno (contendo glúten)....enfim uma gama enorme de produtos passou a invadir nossa mesa em detrimento de alimentos nutritivos e ricos em vitaminas, minerais e substâncias bio-ativas, como as frutas, vegetais, alimentos integrais, oleaginosas, leguminosas, raízes...
Perceber a possível relação entre as queixas e patologias trazidas pelo paciente e a ingestão frequente de algum alimento é uma tarefa do Nutricionista Funcional que apartir daí iniciará um trabalho de dessensibilização e equilíbrio metabólico.
